- Sabe aquelas dores que podem até mudar de lugar, mas não dão alívio, mesmo com todos os tratamentos?
- Já ouviu falar de pessoas com diabetes, hipertensão e obesidade que não conseguem o controle clínico, mesmo com tratamentos rigorosos?
- E de problemas de sexualidade em homens e mulheres sadios?
Problemas emocionais podem estar na base da dificuldade!
É isso mesmo! Sintomas ansiosos e depressivos podem responder pela melhora incompleta e, muitas vezes, pela ausência de melhora de queixas orgânicas, apesar do tratamento clínico correto.
Há uma explicação: Embora a ansiedade seja uma emoção normal do ser humano, quando ela se manifesta com frequência, intensidade ou duração excessivas, configura o quadro de transtorno da ansiedade. Mais que isso, cerca de 65% das pessoas que manifestam transtorno da ansiedade, ainda apresentam sintomas depressivos associados.
Além do comprometimento emocional, a associação de sintomas ansiosos e depressivos, constitui uma das bases de doenças clínicas não psiquiátricas: cardiovasculares, hipertensivas, respiratórias, alérgicas, dermatológicas, infecciosas, imunológicas, reumatológicas, dolorosas, endócrinas, gastroenterológicas, ginecológicas, da sexualidade.
Isso porque os sintomas físicos podem aparecer juntamente ou no lugar dos sintomas típicos da ansiedade e da depressão. Assim, a pessoa sofrerá de:
- taquicardia, picos hipertensivos, tonturas, mal-estar indefinido;
- crises de irritabilidade, explosões de raiva;
- redução do sono e da memória;
- dificuldades respiratórias, glandulares, sexuais;
- transtornos alimentares, intestinais, urinários;
- dores persistentes, difusas, migratórias.
Podemos concluir que os transtornos ansiosos e depressivos, assim manifestados, prejudicam a vida da pessoa em diversos níveis: na saúde, na produtividade, nas relações afetivas, nas funções intelectuais e criativas.
Avalia-se, por exemplo, que um dos maiores fatores de deficiência de produtividade decorra da participação de sintomas ansiosos e depressivos na origem e na manutenção de quadros dolorosos que não respondem satisfatoriamente ao tratamento: dores de cabeça (cefaléias), de coluna, dores musculares (mialgias), lombalgias, artralgias, LER ou DORT.
LER = Lesão por esforço repetitivo.
DORT = Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.
Dessa forma, é de fundamental importância que o paciente confie ao seu médico os seus problemas emocionais. Isso auxiliará a ambos (médico e paciente) a reconhecer os sintomas de ansiedade e de depressão embutidos nas queixas clínicas.
Pode-se sempre contar com o auxílio da psiquiatria e da psicologia para o tratamento conjunto, o que será de imenso valor para a resolução das queixas e para a recuperação do bem-estar da pessoa.
Sem esses cuidados, o sofrimento tende à cronicidade, com grande prejuízo funcional e pessoal de seus portadores.
- Mais grave o problema se torna quando o paciente tenta o lenitivo no uso de bebidas alcoólicas, "calmantes" e outras drogas inadequadas para "tratar" os seus sintomas.
- Além de não obter a melhora necessária, pode adquirir uma outra doença, ainda mais grave, que é a dependência química.
Elimar Jacob Salzer Rodrigues
Médica - Psiquiatra
Professora da UFJF
Especialização e Mestrado pela UFRJ