Alterações emocionais relacionadas com a gravidez e com o puerpério têm sido descritas há séculos. A gravidez e o parto podem exercer efeitos psicológicos e fisiológicos no corpo e na mente das mulheres, assim como as alterações hormonais desta fase favorecem repostas emocionais que vão desde uma sensibilidade muito acentuada a uma grande tristeza, chegando até aos sintomas depressivos.
Embora mais de 80% das mães possam sentir flutuações de humor a qualquer momento, na gravidez e até seis meses após o parto, apenas poucas delas irão desenvolver alguma doença depressiva mais persistente: aquelas que tiverem maior vulnerabilidade genética.
Sintomas depressivos na gravidez | Tristeza puerperal | Depressão puerperal | Psicose puerperal |
25% - 35% | 50% - 85% | 10% - 20% | 0,1% - 0,2% |
Os sintomas emocionais, de intensidades variáveis, serão: tristeza, choro, desânimo, irritabilidade, impaciência, dificuldade de cuidar do bebê, alterações do sono e do apetite, rejeição, culpas e medos, assim como sensações incomparáveis de realização.
Alegrias e medos se misturam.
A primeira opção de tratamento é a prevenção e a profilaxia, com atenção à identificação da gestante de maior risco, que são aquelas que têm história de doença depressiva prévia em si mesmas ou na sua família. Aspectos da vida conjugal, familiar e financeira deverão ser abordados na fase de preparação para a maternidade.
Só em casos depressivos intensos, lança-se mão dos psicofármacos, com cuidados especiais em relação ao desenvolvimento do bebê, antes e após o seu nascimento.
Medidas preventivas para as mães no pós-parto:
1. Tente se organizar com antecedência para que as primeiras semanas possam transcorrer de forma bem tranquila.
2. Você estará muito cansada entre as mamadas, preocupada com o desenvolvimento e a saúde do bebê e com sua competência para conseguir interpretar adequadamente os sinais e as necessidades dele.
3. Descanse bastante e procure alimentar-se com uma dieta nutritiva, semelhante à que lhe foi orientada no pré-parto.
4. É difícil, nesse momento psicológico e hormonal, cuidar bem do bebê, enfrentar tarefas domésticas, receber com alegria as visitas. Afinal, o parto físico, não é acompanhado, no mesmo momento, pelo parto emocional e, mãe e bebê, continuam conectados como se estivessem dentro de uma bolha emocional onde só cabem os dois.
5. Podem surgir problemas de relacionamento conjugal. O pai não participa da bolha acima e, sentindo-se excluído, pode ficar abalado emocionalmente, além de sentir também alegria e medo. O pré-parto bem orientado pode prevenir essas reações.
6. Você poderá sentir-se feia, desprestigiada, sensações que passam após alguns dias.
7. Se essa melhora não ocorrer nos primeiros dois ou três dias, converse francamente com seu, ou sua, obstetra. Não é vergonha ou absurdo sentir-se assim. Muitas vezes, pelo medo de ser mal interpretada, a mãe tenta esconder esses sintomas, o que pode prolongar e agravar o problema.
8. Seu médico avaliará a necessidade de tratamento especializado.
9. Quando bem conduzido, o atendimento antidepressivo trará resultados eficazes rapidamente.
10. A tristeza ou a depressão em uma gestação ou em um pós-parto não se repetirá obrigatoriamente quando você tiver outros bebês.
Feliz mês das Mães!
Autora:Dra. Elimar Jacob Salzer RodriguesMédica – Psiquiatra - Especialização e mestrado pela UFRJ