Dona Janete estava sozinha em casa, quando precisou sair. Com capricho e bem devagar, deixou um bilhete para o marido. Anotou a lápis o local, a hora de retorno e se despediu com um beijo. Nada demais, não fosse este o primeiro bilhete de sua vida. Aos 60 anos, dona Janete aprendeu a ler e a escrever com a Unimed.
Responsabilidade social na ponta do lápis
Uma das iniciativas mais premiadas da Unimed Juiz de Fora, o projeto Cidadão Alfabetizado é uma iniciativa inédita na região que ensina adultos a ler e escrever. Desenvolvido em parceria com a Cúria Metropolitana desde 1997, o projeto é totalmente gratuito para a comunidade e já alfabetizou mais de 300 adultos, entre pedreiros, donas-de-casa, domésticas e aposentados, com renda inferior a três salários mínimos, que pela primeira vez freqüentaram uma sala de aula.
Material didático, lanche e até vale-transporte gratuitos
O sucesso do Cidadão Alfabetizado é tanto que uma nova turma foi criada, com professora exclusiva, responsável pelo aperfeiçoamento de quem já foi alfabetizado. Os resultados sociais são tão expressivos, que o projeto supera índices nacionais. Enquanto a média no país não chega a 20%, o Cidadão Alfabetizado obtém aproveitamento em sala de aula superior a 70%. A Unimed Juiz de Fora financia salário dos profissionais, todo o material didático, lanche e até vale-transporte para incentivar a presença. E vale a pena. A freqüência é de 100% nas aulas diárias.
“Eles chegam com as mãos enrijecidas pelo trabalho e pela idade. Mas a vontade de aprender é impressionante. Apoiar corretamente um lápis na posição exata para a escrita exige muita paciência, determinação e perseverança. Sobretudo, depois de um dia inteiro e, na maioria das vezes, intenso de trabalho.” Taísa Rodrigues de Souza - professora.
Projeto supera índices nacionais de aproveitamento em sala de aula e já alfabetizou mais de 300 adultos em Juiz de Fora.
Aulas de cidadania e uma lição de vida
O adulto chega ao Cidadão Alfabetizado sem saber identificar letras e números e, na maioria das vezes, sentindo-se marginalizado pela condição de analfabeto. Para romper barreiras, o projeto utiliza um método de ensino construtivo, que aproxima a sala de aula da realidade do aluno. Nos textos, exemplos e exercícios estão situações do dia-a-dia e temas que ofereçam soluções a sua rotina.
O método é prático e responde às necessidades dos dois tipos de analfabetos atendidos: o que passou pela escola, mas não domina a escrita nem a leitura, e o que desconhece qualquer forma de escrita. As aulas acontecem de segunda à sexta-feira, de 19h às 21h, na Catedral Metropolitana, no centro (ao lado da sede da Unimed).
Como ter acesso ao projeto
Para participar, o candidato passa por entrevista que verifica a carência e o grau de analfabetismo. A abertura de vagas é sempre no início do ano e comunicada durante as missas na Catedral. A seleção dos alunos é feita pela coordenadora do projeto.
No módulo I, o aluno conhece vogais, consoantes, letras minúsculas e maiúsculas, aprende a apoiar e controlar o lápis, escrever o nome, recados, receitas e iniciam a leitura. O módulo II é para quem já domina as letras e pretende aprimorar a leitura. É a etapa de consolidação do processo de alfabetização, onde o projeto intensifica a leitura com interpretação de textos.